JL: Seresteiros de Barbalha, convidados por colegas para cantar em Crato, em um bar na praça João Cornélio. Nos anos 60, na saída da turma, incluso o Sr. lídio de Freitas, com o cavaquinho na mão, não pode comparecer, pois, foi atender um cliente. Mas foram os jovens, da esquerda para a direita: Dr. Hoffmann Correia, Sr. Sebasto Bezerra, Sr. José Nilton Correia, Sr. Edênio Queiróz, Sr. Nivaldo Peixoto de Crato, os demais são os proprietários do bar. Edênio me contou, que, foi uma seresta e tanto. não podia ser diferente com esses personagens. Alguns de saudosa memória.
Os gigantes seresteiros!
JL: Os gigantes seresteiros! Sr. Edênio, com Dr. Hoffmann, acompanhados também da turma dos cabeças branca. Estava presente o saudoso Sr. José Alênio (águias), Francisco Pereira de Oliveira “FANIQUIM”.
Bacana! Festa em casa com os familiares.
História da Seresta
Seresta foi um nome surgido no século XX, no Brasil, para rebatizar a mais antiga tradição de cantoria popular das cidades: a serenata. Ato de cantar canções de caráter sentimental a noite, pelas ruas, com parada obrigatória diante das casas das namoradas. No Brasil, o costume das serenatas seria referido pelo viajante francês Le Gentil de la Barbinais, de passagem por Salvador em 1717, ao contar em seu livro Nouveau voyage autour du monde que “à noite só se ouviam os tristes acordes das violas”, tocadas por portugueses (espadas escondidas sob os camisolões) a passear “debaixo dos balcões de suas amadas” cantando, de instrumento em punho, com “voz ridiculamente terna”.
Mais compreensivo, outro francês, o estudioso de literatura luso-brasileira Ferdinand Denis, registraria em livro de 1826 que “gente simples, trabalhadores, percorrem as ruas à noite repetindo modinhas comoventes, que não se consegue ouvir sem emoção”. Com a transformação dessa modinha, a partir do Romantismo, em canção sentimental típica das cidades em todo o Brasil (alguns poetas românticos foram compositores, outros tiveram seus versos musicados), tal tipo de canto, transformado desde o séc. XVIII quase em canção de câmara, volta a popularizar-se com a voga das serenatas acompanhadas por músicos de choro, a base de flauta, violão e cavaquinho.
Influenciadas pelas valsas, as modinhas têm então realçado seu tom de lamento na voz dos boêmios e mestiços capadócios cantadores de serenatas, por isso chamados de serenatistas e serenateiros. Assim, quando no séc. XX a serenata passa por evolução semântica a seresta (para confundir agora sob esse nome, muitas vezes, o ato de cantar com o gênero cantado), os cantores com voz apropriada ao sentimentalismo de serenatas ou serestas transformam-se, finalmente, em seresteiros.